China, Coreia e Japão
As dividas históricas tem significado, mas eles podem não ser tão nobres assim
Certa vez, eu ouvi de um professor da faculdade que a história é feita pelos vencedores. Naturalmente, ele falava sobre uma “híper-vilanização” da União Soviética, mas essa frase me colocou para pensar sobre o que é real e o que foi fabricado no estudo da história.
Um dos fatos mais “brutais” da Guerra no Pacífico, e que não é tão difundido no ocidente, é o Massacre de Nanjing, ou o Estupro de Nanjing. Onde, supostamente, tropas imperiais do Japão teriam assassinado mais de 300 mil chineses e estuprado mais de 20 mil mulheres chinesas durante seis semanas no final de 1937.
Até hoje, este fato gera conflitos na relação entre China e Japão. Recentemente, a China lançou dois filmes baseados no período da Guerra Sino-Japonesa, um deles chamado de ‘Estúdio Fotográfico de Nanjing’ e outro chamado de ‘731’, retratam a brutalidade japonesa, tudo isso apenas 3 meses depois de uma menina japonesa de 7 anos ser morta a facas em Shenzen.
Fato é que os japoneses questionam essa versão. Reconhecem que as ocupações durante a segunda guerra foram brutais e que crimes foram cometidos, mas questionam os dados, mas não negam sua história, como a maioria diz.
O caso que uso para comprovar esse reconhecimento é o mesmo que usarei para justificar a “cultura vitimista” de alguns países como a Coreia do Sul.
Você já ouviu falar da Mulheres, ou Damas, de Conforto? Durante o período de guerra, milhares de mulheres coreanas foram obrigadas a servirem sexualmente em bordéis militares japoneses, algumas foram enviadas às principais e usadas em bordéis civis.
De acordo com a imprensa, como uma matéria publicada pela BBC, “as vítimas continuam lutando por um pedido de desculpas e por uma indenização”. O que não foi relatado, no entanto é que o governo japonês já aceitou TRÊS acordos de indenização propostos pela Coreia do Sul, mesmo assim os coreanos sempre querem aumentar os valores.
Em 1965, foi firmado um tratado entre Japão e Coreia do Sul para tentar sanar as indenizações pedidas. Empresas grandes como a Mitsubishi e a Nippon Steel pagaram valores altos para prisioneiros e familiares, enquanto o Japão aceitou um pacote de 800 milhões de dólares em subsídios e emprestimos de Tokyo para Seoul…acordo TAMBÉM ASSINADO PELA COREIA DO SUL!
Dívida sanada, certo? Errado! A Coreia do Sul voltou a questionar o Japão em mais duas oportunidades, a última em 2015, quando Shinzo Abe assinou um acordo com Seoul para indenizar as mulheres de conforto com um fundo de indenização com 37 milhões de dólares. O próprio Shinzo Abe foi até a capital sul-coreana e fez um pedido público de desculpas em nome do Japão.
Só que em 2018, a Coreia do Sul MAIS UMA VEZ reabriu a disputa diplomática, dissolvendo o fundo de indenização sob a alegação de que “não era o suficiente para as vítimas”.
Ou seja, por três vezes a Coreia do Sul aceitou um acordo para resolver a pendência, o Japão realizou o pagamento e o próprio governo sul-coreano exige mais dinheiro. Essas atitudes começaram a repercutir entre os jovens japoneses que começam a questionar a versão coreana.
Enquanto os mais extremistas dizem que as “mulheres de conforto” nunca existiram de verdade, os mais realistas afirmam que a disputa foi resolvida em 1965 e em 2015, portanto o Japão não tem mais nenhum débito.
E é sempre assim com as chamadas ‘dívidas históricas’, nunca é suficiente! O grupo ofendido sempre quer mais e mais.
Chineses e coreanos sofreram demais durante a Segunda Guerra Mundial e o Japão reconhece isso, só que nunca é suficiente. E aqui tomo a liberdade de tratar dos dois casos mostrando o que eu penso serem suas estratégias no uso da barbárie japonesa nos dias atuais.
O caso coreano me parece mais simples, dinheiro. Vejo que a Coreia enxerga essa “dívida histórica” como uma obrigatoriedade do Japão sustentar a Coreia do Sul, já que sempre revisitam o tema quando o país enfrenta alguma crise.
Para mim, parece que os políticos coreanos veem o sofrimento do povo durante a ocupação japonesa, como forma de arrancar à força mais subsidios e investimentos do Japão na Coreia, como foi com o acordo de 1965. Justamente por isso que o argumento é sempre econômico.
Já o caso chines, creio que seja parte do plano do Partido Comunista de reavivar um sentimento combatente no chinês médio. Não é segredo para ninguém que a China tem um plano secular para conqusitar a soberania no extremo oriente e precisa superar o Japão neste caminho.
É por isso que o foco é sempre sentimental! São 5 filmes estatais lançados em 2025 com o tema Segunda Guerra, todos eles com destaque na vilanização japonesa. O governo Xi Jinping tentou mudar a data de início da guerra para colocar mais 6 anos de conflito, etc.
O apelo ao sentimentalismo chinês contra os japoneses é um combustível para que o jovem tenha vontade de se alistar ao exército e tornar a China em um país glorioso do futuro.
Fato é que Japão, China e Coreia se odiaram durante toda a história e se odeiam até hoje, mas a cultura do vitimismo, usando de temas graves e sérios como forma de conseguir mais dinheiro ou alavancar um projeto militarista, precisa acabar. É preciso colocar uma pedra, momentânea, neste assunto, antes que uma “vingança” aconteça!

É mais ou menos isso que o Paraguai tenta fazer com o Brasil, até hoje eles querem uma indenização, mesmo já tendo recebido algumas coisas.
Bom demais este artigo.
Realmente a China usa o ocorrido em Nanquim como scapegoat de um inimigo externo e também para pedir indenizações. Japão esta a ser bonzinho demais com estas indenizações.